Nunca me peça calma
Nem se importe em dizer
Porque curta é vida
Pra não nos satisfazer
Mesmo que todo segundo seja um infinito de eternidades
E que os períodos sejam impossíveis de se enumerar ou concretizar
Não posso perder nenhum momento com meras amenidades
Se algum pode ser usado pra amar
Sei que vou dormir, que é preciso descansar
Mas enquanto eu puder pensar
Não vou me negar o prazer de te lembrar
Em mim, no nós também infinito, que rola pelo tempo e espaço sem que percebamos a beleza perene da mistura que é amar
Me olha, e me olha bruto
Não o bruto de me machucar
Mas por favor, ao ver a mim
Não lapide o teu olhar
Quero que perceba tudo
E a intensidade do sentimento
Que brota de todo meu eu
Cantando a todo momento
E meu coração bate
Já nem sei se em mim ou em você
Newton fez suas leis limitantes
Porque não pôde nos conhecer
Nossa vida divide o mesmo espaço
Nesse laço de calor e cor
Goteja o tempo, caem grãos
Correm asas, nadam marés
Fluem ondas, propagam sons
A luz nos guia, a luz nos é
Tanto ocorre nesse tempo
Não peça pra eu me acalmar
Porque com tudo eu disputo
Para ocorrer em você
E de tudo que ocorre
Nada quero esquecer
Nunca me peça calma
Porque a vida é muito curta
Para nos permitir perder
É preciso ver transformar,
É preciso deixar de contar
Sem números ou limites...
Eu preciso transbordar