terça-feira, 26 de julho de 2016

Certidão

Voltando de lugar nenhum
O céu me parece verde
Os "s" soam, 
sinto o sereno soturno
na calada da noite

A lua me encara, 
O chão me segura
Uma boca escarra
e a mente tortura
 
A natureza de tudo 
Intriga, condena
Já não vivo de certezas
Do que sou
De como as pessoas são
De como tudo deveria ser
E invejo quem vive certo
Como um trabalhador
Que inveja o cobertor
De um mendigo em uma madrugada fria

No final, vem a conclusão
Me encho de conforto
E a resposta?

É clara, não sei

quarta-feira, 20 de julho de 2016

nove crimes

Somos pedaços de frases
e s p a l h a d o s      n e s s a       e s c u r i d ã o    


Os fatos são falhos, te perdoomas você nunca me pediu perdão



É estranho e perdido aqui

{Sua decepção é o lugar onde estou agora}

E, no entanto, é também familiar demais
desde que você foi [indo] embora

É um vai 

             e 
   vem
                   essa        relação



Eu queria ter dito que seria mais fácil  se você decidisse

 se nos ama                                                                                                   ou não.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Mudança

Enquanto estou aqui nesse chão
Úmido, gelado e sozinho

Gesticulo para mim mesmo
Ouço minha respiração
Sinto meu sangue correndo nas
Tortuosas veias e artérias
Olho para a parede e penso comigo

De que adianta se preocupar e
Entender aqueles que não se preocupam

Bater em ideias velhas
Atirar argumentos
Tirar conclusões e
Ao terminar a conversa
Tudo volta ao seu início
A mudança morre com o assunto