Morar onde caiam folhas secas
E haja vida no chão
Respirar onde pássaros cantem
E haja muitos sons de outros seres
Um lugar que não grite nossa culpa
Que não seja prova dos nossos crimes
Longe desses cemitérios de antas, quatis, minhocas, cobras e
Outros de nomes esquecidos
Um lugar onde eu possa existir sem matar
E outros possam existir sem (eu) morrer
Um lugar que não prenda plantas em vasos
E não me prenda no concreto
Um lugar pra ser vivo
Um lugar pra ser
Onde ninguém tem nada
E todos são tudo
Que podem ser
Um lugar para encontrar a Deus
Sem a ansiedade e as ambiguidades
Da palavra escrita
Onde haja mais a olhar
Do que os vídeos nas paredes
E as imagens no aparelho em minha mão
Onde haja espaço para olhar nos olhos
Sem pesos ou precaução
Um verdadeiro lugar,
poder criar
outro lar