A Terra esfriou
sem seu toque
parei no céu
sem certeza nenhuma
Você
cabelo macio
pescoço doce
sua boca é um presente
que nunca vou merecer
Você
pele quente
olhar intenso
seu riso é o som mais bonito
que já ousei ouvir sem saber
Invade
fez ninho atrás dos meus olhos
e pressionou meu coração
quando pulsa dói
quando para dói
e só está bem quando você o afoga
Pingo choros antigos
você não seca o que não vê
escorrer atrás da porta
Toda vez que acho que posso
Viver você
Não sei mais quem sou
achei que poderia me contar
mas nunca acredito no que fala
Onde vamos parar
se não formos continuar?
A terra secou sem resposta
Mas rochas metamórficas
Ainda são
tudo que foram
domingo, 22 de abril de 2018
a terra esfriou
quarta-feira, 11 de abril de 2018
Foi por isso
que te dói chamar de perigo
depois de tudo que sonhamos
poderíamos ter sido amigos
mas ainda me atrai em seu antro
só me faz descansar contigo
onde não há alívio nem cansaço
e fico presa no lapso antigo
falta um tudo
sinto o nada
numa casca fria de calor sufocante
nem mesmo amor é mais brilhante
Um bilhete sobre o estresse crônico
Não duvide de mim quando te chamo de querida. Me acostumei a você como nunca me acostumei a mais ninguém, e nem se eu quisesse poderia me afastar de você agora. Sei disso porque um dia quis.
Você tem que parar de ter essas pequenas inúmeras crises de ansiedade e medo. Você está segura, você é amada o suficiente. Mas o único amor que pode te salvar agora é o seu por si mesma.
Respire como você sempre respirou, supere como sempre superou. O caos é uma organização estranha e fluída e forte. Nós somos.
Já parou pra pensar que todo dia você entra em pânico achando que alguma coisa (quase) aleatória vai dar muito errado mas todo todo todo dia acaba com você de olhos fechados e inteira num colchão confortável?
A vida te gera pânico porque parece difícil, mas se fosse difícil de verdade você não estaria aqui, escrevendo essas coisas.
sexta-feira, 30 de março de 2018
Insolação
inesquecível como fotos espontâneas
intenso na suavidade das ondas do mar
esquecível como o primeiro beijo
impreterivelmente quente e disponível
apenas
para
si
mesmo
mas inteira
LEAFAR
por um instante
seria possível
e pensei que expectar
fosse pensar no futuro
eu não criaria expectativas
e então havia você
anjo doce e feito
e eu caí tão forte
que quase não vi
a dor diluída em amor
por um instante
era real
e o real era falso
e percebi que expectar
era sentir um futuro
irreal
mas também
falso
mas eu senti
e nos criei
assim
o presente é a única coisa que temos
assim como o passado é a única
que nos une
elfara
sol
escorre pelo meu rosto
e meus músculos entrelaçados
me fazem tropeçar
mover dói mas
parar é perigo
sigo andando
amargamente
o mundo é amarelo fogo
a célula é o limite
no horizonte, um verde
uma ilha desconhecida
árvores frondosas
sombras que protegem
terra fria e macia
gramas amortecem
deito morrendo
no entanto
respiro vida
o vento suave
é ele
o abraço natural
é ele
o calor confortável
é ele
o alívio no final
é ele
e o oasis em mim
é dele
quando seu sorriso
existe
enfim
sexta-feira, 9 de março de 2018
Chat
Eu não sou esse pequeno rosto amarelo
de expressões estereotipadas
que escolho enviar para você
Eu não sou essa imagem de leve movimento
tremendo por dentro
que mostro para você ver
Eu não sou o icone manjado
por você adotado
no perfil que você lê
Eu não estou na linha
eu não estou na caixa
eu não estou na foto acima
e nem espero estar
eu quero estar no seu sussuro abafado
no sonho que você acorda antes de dormir
eu quero estar no amanhecer ameno
colhendo frutos de um jardim azul
meu, onde cresci criei e fiz crescer fui criada
preciso que me procure
para que eu consiga te achar
em mim
no quê ando pensando
quero que se aproxime
que me conte do que gosta, do que não gosta
do que te faz rir sozinho, o que pensa no banho entre as gotas do chuveiro
quero saber do que é feita a sua alma e o seu coração
quero descobrir quantos tons de cor existem nos seus olhos e quantos brilham quando me olha assim
quero estudar sua pele como quem cultiva uma rosa rara e macia e doce
quero te tocar como walker tocou o piano enquanto criava fade
quero descobrir sua dor, sua raiva, sua tempestade
quero ver a fúria saindo de todos os seus poros e quero te acalmar no meu abraço
quero investigar os espaços que sua mente cria, a métrica do seu andar
quero sentir seu amor, sua calma
quero incitar sua alegria, seu riso, a sua verdade
quero descobrir onde você guarda seu caráter e onde esconde suas meias
quero saber sua canção favorita e ouvi-lo cantar
quero ser preenchida por sua voz antes de encostar em você, que me toca sem precisar me tocar
quero que se aproxime e que diga o que sente
quero que sussure todos os seus segredos dentro da nossa noite
quero dormir em você e acordar sorrindo
te levar para onde o canto das aves for
e sentir sua presença como o cheiro da chuva
quero que se aproxime
sábado, 3 de março de 2018
antes de tocar
preciso que me diga que está tudo bem
mesmo sabendo que amanhã tudo muda
preciso que me diga que vai estar aqui
mesmo sabendo que podemos nos perder
preciso que me diga que vai viver
mesmo sabendo que a morte existe
preciso que me diga que vai me amar
mesmo sabendo que te deixo triste
preciso que me diga que me perdoa
mesmo sabendo que posso errar de novo
preciso que me diga que isso é real
mesmo sabendo que é inexplicável
preciso que molde os fatos
para parir bela verdade
assim a usarei no pescoço
por amor, paz e vaidade
preciso não precisar
porque importa não importar
então esteja estando estável
para enfim evitar o inevitável
terça-feira, 13 de fevereiro de 2018
nova cor
mais doce
e
mais terrível
na minha língua
sua pele tem gosto de afeto
e o meu suor feito de solidão
quando meu nome sai
por seus lábios quentes
sinto como se toda a dor que já senti na vida
não passasse
de um mero
sonho ruim
e quando caio em mim
eu nem sei mais quem eu sou
você é o sonho escondido
perdido e encontrado
que tenho medo de viver
porque metade conheço há anos
e metade nunca nem vi
sexta-feira, 26 de janeiro de 2018
como crianças aprendem que dói amar
ela suspira o ar de fim
ele caminha para longe
ela se deita no sofá carmim
um novo cadeado, pensa
novos portões, murada melhor
quatro chaves de reserva
cacos de um vidro maior
proteção, é preciso proteger
dentro da casa os corações
que ninguém conseguirá ver
proteção, é preciso esconder
melhor as chaves no escuro
do que uma vida de sofrer
ele liga para as crianças
ela penteia seus cabelos
ele marca uma viagem
ela explica sem rodeios
não digam tudo, manda
agora usam discrição
ele é um novo estranho
está fora da construção
armas metálicas bem forjadas
no fogo brando do rancor
a guerra é fria e latente
ódio feito do antigo amor
não é contra país vizinho
nem contra rebeldes da região
não é contra um povo distante
é contra sangue da sua mão
as crianças estão deitadas
vendo seu castelo ruir
continue construindo, disse Deus
um dia de novo vai poder rir
elas tiram os sapatos
jogam o pente no chão
caçam restos de cimento
e cauterizam o coração
tinta não vive
exaltassem a beleza do olhar distraído
para assim extrair o doce e deixar a casca suja de tintas nobres
fizeram com que os homens
ficassem em paz
e agora quando os observamos em mistério
fazerem nada, em paz
achamos a genuína beleza
que eles tiram das mulheres
para manter sua paz ingrata
assim se tornaram sujos de injustiça
assim como estamos sujas [do que chamam] de mach agem
mente
eu sussuro dentro
não daria certo
e por isso não pude fazer nada
eu teria me encolhido
eu teria explodido
precisei gritar todas aquelas coisas horríveis
e por isso não pude fazer nada
precisei gritar verdades num tom desesperado
e mentiroso ao esconder que te amava
e que me magoei demais por você
e por isso não pude fazer nada
eu arranhei a todos com minhas garras
urrei como o leão que perdeu a coragem
covarde chorei e bati mais que meu coração
e por isso que não pude fazer nada
mas a verdade corrói quando lutamos
e ela arranha minha garganta adentro
mas a verdade ninguém mata nem some
e ela se conta nos corações culpados como o tique taque de um relógio assassino
mas sigo forte no argumento tolo
de que fiz o que foi preciso
mas sigo forte na muralha quebrada
de que era tudo que podia ter feito
e assim me conto que não pude fazer nada
o que a verdade corrói a mentira afaga
conta mil ficções beijadas pelo medo
me abraça à noite, no quarto escuro
da consciência onde a verdade latente pulsa mais que meu pulso
e grita sussurando aos poucos como aquele velho tique taque
porque eu pude fazer diferente
e
não
fiz
quarta-feira, 17 de janeiro de 2018
p ai n
as mentiras doces que você cria
sou sua espera decadente
a verdade tola descontente
sou quem você abandona sem dizer
sou o vento frio no amanhecer
se você invade sonhos meus
não mereço o seu adeus?
sou a pergunta sem resposta
o famoso jogo sem aposta
sou a tristeza de toda rima
o encontro seco sem clima
[quando todos vão pra casa sem ter o que dizer
sou a filha do meio
a média morna
a filha pródiga
que nunca torna
sou a preocupação da sua esposa
o tremor por qualquer coisa
a criança na sua camisa
o paradoxo na divisa
dormindo e chorando
ao que acorda reclamando
sou seu motivo pra beber
sou sua volta tardia
sou presa a você
até deixar de te perder
sexta-feira, 12 de janeiro de 2018
23 horas
depois de todos esses anos
ainda tenho medo da noite
e todo dia, todo dia, todo dia
é como ver você partir
o sono nem veio e já foi embora
o mundo manda barulhos lá fora
o coração bate rápido e com demora
meus nervos são os gatilhos da pistola
depois de todos esses anos
ainda tenho medo de dormir
e toda vez, toda vez, toda vez
a sensação está aqui
não vou tomar outro banho
o frescor já não é um ganho
tudo é disforme e sem tamanho
o tempo cresce e não tenho um plano
depois de todos esses anos
ainda durmo e acordo
ainda sinto e discordo
ainda aceno e decoro
como fingir que estou vivendo
depois de todos
esses anos
de tudo
quarta-feira, 10 de janeiro de 2018
célebra
no fundo escondida
um antro de compulsões
da velha fera ferida
há folhas, fotos, desenhos
há letras, rostos, rabiscos
e emoções impressas
como a culpa que a corrói
há relatos, poemas, frases
há cor, memória, faltas
e pensamentos concretos
como a doença que a destrói
foram mentiras, foram gritos
foram perdas, foram agitos
tudo passou mas tudo fica
guardado na caixa
foram anos, foram horas
foram vidas, foram memórias
tudo era mas nada é
guardado na caixa
o coração bate e sufoca
balança a caixa por fora
elementos bagunçados voam
a ordem do mundo distoa
a caixa louca como avião
perdido no céu amarelo
não há bússola nem âncora
não há coroa nem elo
então a fera fere
a caixa sangra o coração
não sente mais quem é de fora
expulsa todos da pensão
depois volta arrependida
clamando por atenção
então chora atendida
vendo o ciclo sem razão
não entende o começo
não prevê o fim
nasceu no meio
e fica assim
ressaca
o círculo de seus olhos
ainda tenho medo
do anoitecer
sua pele é morna
o circulo de seu nariz
ainda estou com fome
não posso esquecer
balanço os meus dedos
o circulo da sua boca
ainda tenho o toque
vou desaparecer
sinto seu olhar
balançar a minha pele
o vento leva a lua
para outro anoitecer
sinto o seu cheiro
atiçar o que eu fui
o ontem afunda no mar
eu me vejo esquecer
sinto o seu toque
proteger minha mente
não devo mais fugir
você ainda está aqui
domingo, 7 de janeiro de 2018
avisrara
porque nunca alguém ficou
ouço nos seus olhos que você chora
na noite profunda dentro de você
queria encontrar a sua criança
niná-la e tirá-la do escuro
mas como posso te tocar?
o mundo nos sussurrou os fatos
amar nunca é o suficiente
te olho de canto quando deita sozinho
seu calor congela meu coração
e no frio da madrugada insone
choro sozinha por nossa solidão
nenhum abraço em cheio
apaga o vazio ácido e amargo que
corrói matérias, destrói beijos
e se aloja em tudo que foi nós
você está tão cansado e velho
daria todos os meus anos pra te salvar
correria montanhas, nadaria mares
mas não levanto para conversar
os segundos são tiros na minha pele
logo é tarde, longo é ainda mais
me pergunto quando foi que perdi a chance
de te buscar ao olhar para trás
voz rouca, olhar duro
mente quando me preocupo
tranquilo desespero
somos nós
não há amor verdadeiro
não há perdão na união
há dor, tanta tristeza
escondida na encenação
comunicação é um sonho perdido
não mais consigo te alcançar
está trancado em minha pele
intrínseco ao lamentar
vejo por enquanto
cheiro até então
não sinto nada real
seria isto a perdição?
terça-feira, 2 de janeiro de 2018
viagens sem rumo
-tentei
Afunda na periferia
-consegui bem demais
Olha para fora
-não me trouxe alegria
Olha para dentro
-só mais tormento
Sobe as escadas
-reergo a murada
Encontra o chão
-ao redor do coração
Entra no metrô
-me faça um favor
Mais um andar
-pare ou consiga