sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Anunciação

O céu quebrou-se em cores,
e sei que todos prometeriam que algo seria como aquilo esperado.
Assim, as crianças se esconderam nos reflexos,
porque no espelho tudo é luz, e não havia tempo para refletir o desespero.
Entretanto, o tempo ondulou e os grandes ficaram zonzos;
preferiram parar de fingir sua grandeza exorbitante e tóxica.

Mas o vento foi fraco demais
e os barcos se perderam nas ondas;
As falsas cordas se quebraram
quando as navegantes desiludidas
perderam seus sentimentos de plástico
e jogaram todos os suspiros na madeira do chão.
Nenhuma lágrima caiu
Sobre aquilo que não pôde ser.

Além de toda a tempestade,
uma náufraga assistia as chamas...
[O fogo consumindo a embarcação
no dia frio mergulhado em sal]
E um calafrio percorreu seu corpo,
vendo os corpos se moverem em liberdade,
ocupando o azul mais secreto.
A brisa que tocou os rostos
destacou suas cores mágicas,
enquanto na náufraga distraída
contrastava com seu morno coração
envolto em memórias perdidas
sobre a sinceridade de toda infância.
Então o oceano se tornou pacífico
(pela doçura desperta pelas almas felizes)
Então o oceano se tornou limpo
(sem a vergonha triste de quando éramos mais jovens)
E, como o oceano, era o meu coração.

Falt

O corpo repousa no sofá
Os ouvidos na televisão
Os olhos no nada
Que te substitui

O corpo repousa no ar
Os pés no chão
O coração no nada
Que te substitui

O corpo repousa na areia
A pele no calor
A língua no nada
Que te substitui

O corpo repousa,
e apenas repousa,
mesmo quando vibra e balança
Porque seu corpo é o movimento,
e seu corpo já não está.
E, como nada é nada,
nada te substitui.

falsa vitória

Quando a dor cruzou seu rosto, a afastou com audácia
E continuou a

ÔNIBUS ÀS 18:30

Entro no ônibus
e vejo lugares pra sentar;
Reparando em minha volta
vejo todos ao celular.

Sem para sua volta olhar,
sem problemas pra lidar,
sem contas pra pagar,
sem família pra cuidar
e o ônibus a lotar!

Mas qual o problema nisso
se nessa infinitiva viagem,
de curtidas e mensagens,
eu ter meu celular?

Entre meus telefonemas
o ônibus vai enchendo
sem lugar pro pensamento
e o calor a aumentar...

A bateria vai acabando,
o ônibus apertando,
eu; minhas costas estalando
tentando me acomodar;

E entre meu plano acabando
e o gerúndio me infernizando,
minha paciência vai se esgotando.
Começo a me irritar!

Olho nos olhos vazios
quais me provocam calafrios;
Não escuto nem um pio
e meus versos preciso mudar.

E ao mudar meu pensamento
sigo no mesmo lamento,
com essa gente não me contento
sempre vidrada no celular!

E se paga mais uma passagem
pra continuarmos a viagem;
Nas ruas a buzinagem;
O ônibus começa a esvaziar.

Os que restam dormem aos cantos
sonhando com seus recantos
e eu só imagino quando
em meu ponto irei chegar...

Passei pela rua escura,
abri a fechadura;
No pretérito tudo é perfeito,
mas no futuro nada é direito
e quando em minha cama deitar
vou mexer no celular!

Por Vitor Brilhante