terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Viagem

Vamos, vamos todos para o lar
Nosso, seu, meu, de quem for
Só precisamos de um lugar para ficar
Cheio de pessoas e cheio de amor

O tempo e a distância se fazem presentes
Assustadores indícios de um novo momento
Ficamos tristes, rangemos os dentes
E nossas despedidas levadas pelo vento

Mundo mundo vasto mundo
Não tenho uma rima nem uma solução
Entre especular ou cair em nostalgia
Mais vale aproveitar cada segundo

Estamos indo em frente por um novo olhar
por um novo lugar
por uma nova vida
Malemá sofrida
Pois de todos os tesouros que carregaremos
Pelos amigos sempre sentiremos

Recipratrocidade

Quantos segundos de agonia
São necessários para ter um dia feliz?
Karma? Talvez.
Ou só sentimentos
Consequências
SOCORRO
Estou sorrindo sem permissão
mesmo sendo livre
o medo é corrente invisível
que me prende em mim
por se perder no mundo

Dilema

Um coelho me encanta
Um pombo voa para longe
O pombo tem seus motivos
O coelho é real
Eu tinha medo de ter o pombo
Fugi com o coelho olhando o horizonte
mas o coelho é real
Talvez o coelho não queira cenouras
mas o coelho é real
O pombo voava alto
lindo, mas longe
Nossa liberdade custava tempo
O coelho nem sempre está mal
Eu tinha medo de querer o pombo
O coelho é um velho amigo
Tenho cenouras para o coelho
Mas tubérculos são proibidos
às vezes
Ainda vejo o pombo
O coelho repousa perto
Um correio
ou momento, afeto?

Pergunta Vertical

Viajo em seus olhos
Amo esse brilho
Me sinto em casa
Onde posso descansar
Sorrir, confiar

Vejo na vertical
Olho ao redor
Lentamente
Tenho um desejo
Angústia. Será
Recíproco
?

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Anomia ou A Página Sem Título

Caminha entre as árvores mas pisa em suas flores
No entanto, hoje há estrelas no céu
Corro para encontra-las, mas se parecem contigo
Me prende na Terra com teu amor inimigo

Me perdi em tuas pupilas, esqueci os meus temores
Viajo nas lembranças e colho teus amores

Espero por ti há não sei quantas luas
Te vejo, te sinto, te perco
É como o vento, não posso alcançar por inteiro
Nem mil abraços me aproximam do teu cheiro

Capturo algumas de tuas partes belas
Pedaços dum sentimento profundo e triste
Três dimensões escondidas, presas em duas
Procuro minhas lágrimas, só encontro as tuas

E os versos recomeçam 
Como as batidas do coração
Pulsa em suas cores,
estarei aqui 
Você não 

domingo, 20 de novembro de 2016

Dós

Eu desenhei numa folha e me escondi no 2D;

Um mundo mágico, superficial e profundo
[a superfície precedente da profundeza]

Nele posso pintar o amor que não havia
E transformar a dor em jóia fria

Faço pétalas em torno do machucado
E transformo em margaridas os hematomas.

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Pólento

Algo acima pesa e as bases tremem
Esmaga e estilhaça e quebra
Já não resta um, mas todas
As pequenas partes do ser
São pó

Arrastado pelo vento no mundo

E ninguém sabe de quem é
E todos acham que é de alguém

Fato frio

Eu pus minha camisa preferida
para ir visitar a pessoa favorita
         Mas ela não está no mundo.

Só o tecido bege parece o mesmo.

Infeliz, cidade em mim

O amanhecer incendeia lentamente
as nuvens com suas cores
O céu azul cheio de algodão
é um dos meus amores

E aqui embaixo, no chão
postes brilham como estrelas amarelas
na cidade colorida que aos poucos desperta
acalmando seus donzelos e donzelas

Cá estou eu, também
Observando o mundo por uma névoa nítida
Tão vazia por dentro quanto horrível por fora
Triste pelas mazelas de minha vida

O azul das paredes do supermercado
quase me distrai do futuro desagradável
Tão próximo e assustador
E me sinto uma esponja impermeável

No meu coração, só há pedra e areia
O tempo escorre apenas para logo anoitecer
E outro dia ruim chegar
nesse inevitável envelhecer

Há tão pouco tempo de vida
quando não se escolhe o que fazer!
Maldito seja o sistema
e breve o seu prevalecer

Entretanto, entre tanto
nada novo é criado
E me sinto prestes a explodir
dentro do meu próprio pecado

Me desloco inerte
a saudosista buscando rimas
Não há vento
Sofro em silêncio




[A Estrela se descobre
Cai sobre a multidão
Eu seco as lágrimas que lavam os olhos,
escondo o resto no coração]

Arca de ista

Moço deitado na grama,
você tem o brilho nos olhos de quem faz valer a espera
E é ambíguo, eu sei
E amo
porque são duas verdades
e somos nós aqui

Moço deitado na grama,
você tem que estar aqui
Pois foi por pensar em você que peguei minhas chaves em vez do bilhete único
E assim levantei o metal em vão
Distante visto da mente enevoada pelos seus doces nadas

Moço deitado na grama,
teus dois olhos refletem o brilho da Estrela
apesar do ângulo de tua bela cabeça inerte
Sorri com ternura olhando o céu
(ouve Ron Pope)
E fecha os olhos, a luz cega quando vem de fora
de você

Moço deitado na grama,
tua boca benfeita tem o calor
E tuas retinas profundas são um espelho mais justo
que os pseudo presentes do mundo
E atrás estão os sonhos e piadas
E abaixo é o calor
que quero beijar

Moço deitado na grama,
desejo ser acordada por ti todas as manhãs
E tomar teu café sempre que der
Porque o mundo me chama mais cedo
para buscar e fazer o que é preciso

Moço deitado na grama,
quase ouço teu coração
E parte de mim odeia uma parte de mim
por sempre escrever poemas que podem dar errado

domingo, 2 de outubro de 2016

Lamentos de uma Suposta Paz

Tudo o que não quero
acontece com quem não ligo
até que enfim me desespero
quando não vejo um inimigo

Enfim, no meio do devaneio que nunca se acata
as asas que soam suaves, sem sobriedade
já não mexem com minha alma pacata
e em linhas e letras, um texto exclusivo
um leão ruge e coloca sua pata
a cavar por sentidos vazios

"Tudo o que não me mata
me faz querer estar morto"
disse o pessimista ao se jogar
à procura de um cais, de um porto

As decisões que me dizem respeito
já não parecem muito reais
até achar sentido, sigo no aperto.
Porque os touros, um tanto tortos,
não retornaram ao leito
onde vive o invasor e a água corre.
Longe, os chifres, de sede, morrem.

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

O devaneio em melopeia

070916



Em algum lugar,
bem longe daqui,
existe um campo claro e belo
onde a gnt pode dormir

Tem vento e sol,
tem borboleta e girassol
E o calor do amor
é o nosso cobertor

Os pássaros cantam
e o sono vem,
fechamos os olhos
e vai ficar tudo bem
Os pássaros cantam
e o mundo é tão belo;
abrimos os olhos
no mundo que espero

Feche os olhos

Porque, se você acordar,
eu posso descobrir
Que nada mudou
e ainda estamos aqui

Feche os olhos

Onde máquinas cantam
barulhos com esmero
Eu acordei
Não é o mundo que eu quero

Feche os olhos

Feche os olhos


Em algum lugar,
bem longe daqui,
estamos felizes
e o sono acabou.

Antisonho

240816

Um dia entrei na casa dos pesadelos
Amores e ruínas deslocadas
Encarei o que ontem descartei
Rotinas e esperanças roubadas
Os gritos soaram roucos
E o peso da vida, breve
Meus sufocos não foram poucos
Nem mais o ar era leve

Um dia entrei na casa dos pesadelos
Temi aquele ser meu lar
Temi prisão e o meio dia
Temi a noite e seu luar
Vi o tudo virar nada
E o nada, tudo também
Muita dor pra pouco amor
Muita carência sem ter ninguém

Um dia entrei na casa dos pesadelos
E a casa era um olhar
Atrás das retinas, dias
Atrás dos dias, pesar
Não havia o que fazer
Só o vazio a observar
Mas o vazio era tão cheio
De coisas a lastimar!

A casa não era pequena
Nem grande como alguém
A casa não tinha cerca
Nem era solta também
A casa não tinha andares
Não havia começo ou fim
A casa não tinha endereço
E vivia dentro de mim

Sede por paz

"As crianças correm no mundo inteiro.
Umas atrás de uma bola (ou gato)
outras à frente de uma bomba (ou tiro)."



As pombas bebem água
e as estrelas não têm nome
Elas deixam pegadas
e a água não tem dono

As pombas tomam sol
o sol é uma estrela
abrem-se as penas
A luz não tem dona

A luz pinta as cores
Que brilham radiantes
sobre a Terra

E a Terra não tem done.


pombagrama

entre um A e um O existem Es
  


                                o amor

existe e não existe
não é coisa ou objeto 
não pode ser julgado ou vendido 
não pode ser pedido ou comprado
sem comparações nem gêneros, sem padrões 

Libertará

mesmo se eu me sentir presa
mesmo que eu chore por três luas
até se eu morrer
                    O Amor libertará

(Pois tudo que oprime pode ser curade com amor
Pois tudo que respira pode ser consertade com amor)

E o amor vive
   em cada abraço, contraste de cores e
segundos
e
primeiros


Porque a eternidade das microcoisas 
entre o nascer e o pôr do sol, da lua, des seres
Ama


[E nenhuma das descobertas/achamentos pode ser definida]

terça-feira, 26 de julho de 2016

Certidão

Voltando de lugar nenhum
O céu me parece verde
Os "s" soam, 
sinto o sereno soturno
na calada da noite

A lua me encara, 
O chão me segura
Uma boca escarra
e a mente tortura
 
A natureza de tudo 
Intriga, condena
Já não vivo de certezas
Do que sou
De como as pessoas são
De como tudo deveria ser
E invejo quem vive certo
Como um trabalhador
Que inveja o cobertor
De um mendigo em uma madrugada fria

No final, vem a conclusão
Me encho de conforto
E a resposta?

É clara, não sei

quarta-feira, 20 de julho de 2016

nove crimes

Somos pedaços de frases
e s p a l h a d o s      n e s s a       e s c u r i d ã o    


Os fatos são falhos, te perdoomas você nunca me pediu perdão



É estranho e perdido aqui

{Sua decepção é o lugar onde estou agora}

E, no entanto, é também familiar demais
desde que você foi [indo] embora

É um vai 

             e 
   vem
                   essa        relação



Eu queria ter dito que seria mais fácil  se você decidisse

 se nos ama                                                                                                   ou não.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Mudança

Enquanto estou aqui nesse chão
Úmido, gelado e sozinho

Gesticulo para mim mesmo
Ouço minha respiração
Sinto meu sangue correndo nas
Tortuosas veias e artérias
Olho para a parede e penso comigo

De que adianta se preocupar e
Entender aqueles que não se preocupam

Bater em ideias velhas
Atirar argumentos
Tirar conclusões e
Ao terminar a conversa
Tudo volta ao seu início
A mudança morre com o assunto

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

E isso é ser forte


Todos os dias somos julgados por nossas lágrimas. As pessoas não vêem força em quem chora, e por isso muitos têm vergonha de chorar. Vergonha de mostrar o que sentem.
Todos os dias somos julgados por não usar máscaras. As pessoas não vêem força em quem não atinge as expectativas. Por isso muitos escondem seus motivos. Escondem porque ninguém considera.
Todos os dias somos julgados por não ter um sorriso no rosto ou por dizer "não está 'tudo bem'". As pessoas não vêem força em quem é sincero com o mundo sobre a dor que sente. Por isso muitos escondem seus sentimentos, criam uma fachada aceitável. O tipo de fachada que não será considerada frescura ou reclamação de vagabundo/a. O tipo de fachada que será considerada forte e vencedora.
Todos os dias somos julgados por sermos quem somos. Porque temos uma parte de nós que irremediavelmente reage às diversas situações tristes da vida de maneira não considerada "forte".
Quando alguém mostra essa parte, é considerada/o "fraco". Por não fingir, não mentir.
Pessoas sensíveis são consideradas fracas. Eu sou sensível.
E não vou me esconder.
Hoje serei julgada por minhas lágrimas.
Mas vou deixar que elas caiam até que a dor realmente suma, porque o olhar reprovador de ninguém pode esvaziar meu coração.



A primeira pessoa representa muitos. E todos esses muitos são fortes.
Pelo mesmo assim.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

• Ainda



Está frio e quente nas costas do tempo
e nos lembramos de versões anteriores
A vida se move, é o vento
Mas ainda podemos nos tocar

Está longe e perto de tudo
e fechamos os olhos para frente
Filmes, colegas, conversas, estudo
Mas ainda podemos despertar quem fomos

Estamos parados enquanto mentes se movem
e já não achamos isso tão ruim
O tempo passou, novas vidas chovem
Mas é quase como se tudo não tivesse mudado

Você é a chama no vento
Inconstante, irreparável
Não vale mais contar estrelas
Muitas delas já caíram

Mas em noites como esta...
desculpe, é impossível deixar passar
Você ainda estará aqui
quando essa guerra acabar?