Sono, pesadelos
Escuro, segredos
Luz, dor, chão
INdescanso, INlusão
Chinelos, pegadas
Mentiras, pauladas
Roupas guardadas
Retinas fadadas
Os sonhos na mochila
Já não servem mais
Os medos só pesam
Não posso deixar pra trás
Tempo, ampulheta
O frio tão xereta
Entra pelas brechas
Atinge feito flechas
Abrir mão
Tristeza, confusão
Lição e mais lição
Prova, provinha, provão
Enemenemenemenem
Fuvestando alunos assustados
Mediante pressão
Permanecem calados
Doença não é desculpa
Não vontade também não
Hoje todos são obrigados
A ter uma obrigação
Mochila é medida de peso
Toneladas de saco cheio e esperança
Dor nas costas, varizes nos joelhos
Vomitando pés de mil coelhos
Linguagem da violência
Passiva demência pra todos
"Mentira, alguns merecem cortes também"
O porque sim sempre vai além
Devagardevagardevagar
Vivemos depressa num mundo parado
Pés descalços em brasa
É tecido machucado
Sonolentando dados em mentes
Aulas sem dinâmicas para crianças carentes
De futuro e presente feliz
Ninguém quer o que o mundo quis
Tudo passa, rotina fica
Apagando o que não se repete
Repetindo necessidades impostas
Não pergunte, tenha respostas
Metrô lotado, Sé furacão
Oitocentas horas anuais de pura judiação
2880000 segundos de ódio cidadão
Não há diferente opinião no busão
Filas, filas enormes
Rins, assentos, pagamentos
Tudo precisa ser feito
Nada quer ser feito
Vibração, trânsito, poluição
Gritos de agressão ou indignação
Lágrimas pretas como as fumaças
Em meio às modas de aveia e linhaça
Desconforto, falta de luz
Falta de amor, falta Jesus
Falta compreensão, falta calma
Preciso tomar vergonha na alma
Carros, asfalto, garganta fechada
Sons em aberto, barulheira escancarada
Cãibras na panturrilha, entidade cansada
Uma parte com medo, toda parte parada
E eu só quero voltar pra casa.
<23/10 à noite, na fila e no ônibus>