sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

• Conversas Silenciosas

Avião que beija as estrelas
Toda vez que passa por mim,
Por favor diga a Saturno
Pra ele não se esconder assim!

Hoje foi um dia difícil,
Tive que me despedir
De onde fiquei por um mês,
De onde vi você partir

Por favor mande meu recado,
Diga a estrela polar
Que quero ver o seu brilho
Antes da hora de voltar

...

Estrela cadente que nunca cai,
Leve meu abraço com você
E quando passar pela casa dele
Deixe o afeto cair, sem descer

...

Estrela polar, estrela polar
Será que eu realmente te achei?
Uma pouco brilhante encontrei
Será que ela é você?
Esse pouco brilho eu procuro entender...
Mas a Palavra diz
Que o brilho não está por fora,
Está muito mais profundo
Do que eu vejo agora...

15.1 - 20:15

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

• Pedras Amarelas


Sono, pesadelos
Escuro, segredos
Luz, dor, chão
INdescanso, INlusão

Chinelos, pegadas
Mentiras, pauladas
Roupas guardadas
Retinas fadadas

Os sonhos na mochila
Já não servem mais
Os medos só pesam
Não posso deixar pra trás

Tempo, ampulheta
O frio tão xereta
Entra pelas brechas
Atinge feito flechas

Abrir mão
Tristeza, confusão
Lição e mais lição
Prova, provinha, provão

Enemenemenemenem
Fuvestando alunos assustados
Mediante pressão
Permanecem calados

Doença não é desculpa
Não vontade também não
Hoje todos são obrigados
A ter uma obrigação

Mochila é medida de peso
Toneladas de saco cheio e esperança
Dor nas costas, varizes nos joelhos
Vomitando pés de mil coelhos

Linguagem da violência
Passiva demência pra todos
"Mentira, alguns merecem cortes também"
O porque sim sempre vai além

Devagardevagardevagar
Vivemos depressa num mundo parado
Pés descalços em brasa
É tecido machucado

Sonolentando dados em mentes
Aulas sem dinâmicas para crianças carentes
De futuro e presente feliz
Ninguém quer o que o mundo quis

Tudo passa, rotina fica
Apagando o que não se repete
Repetindo necessidades impostas
Não pergunte, tenha respostas

Metrô lotado, Sé furacão
Oitocentas horas anuais de pura judiação
2880000 segundos de ódio cidadão
Não há diferente opinião no busão

Filas, filas enormes
Rins, assentos, pagamentos
Tudo precisa ser feito
Nada quer ser feito

Vibração, trânsito, poluição
Gritos de agressão ou indignação
Lágrimas pretas como as fumaças
Em meio às modas de aveia e linhaça

Desconforto, falta de luz
Falta de amor, falta Jesus
Falta compreensão, falta calma
Preciso tomar vergonha na alma

Carros, asfalto, garganta fechada
Sons em aberto, barulheira escancarada
Cãibras na panturrilha, entidade cansada
Uma parte com medo, toda parte parada

E eu só quero voltar pra casa.

<23/10 à noite, na fila e no ônibus>

sábado, 7 de novembro de 2015

Corujas de Carga

L. S. Cruz  24.10.15 11:44 

Chove no dia do enem
As canetas derrubam contas no papel
Gotas de números desesperados 
Por um resultado, para voltar ao céu 

Chove no dia do enem 
Pessoas se molham, e várias 
Gotas de água caem do céu 
provas coroadas por lágrimas imaginárias 

Chove no dia do enem
Sonhos de melhora
Da gente que não teve chance
De aumentar sua memória

Chove no dia do enem
Segundos caem lentamente
Vontades batem nas portas do corpo
Exalando sua pressa urgente

Chove no dia do enem
E eu fico aqui esperando
O vento bate em meu cabelo
Eu encaro vinte minutos passando
Pessoas e mais pessoas chegando
Passam os que gastaram sua vida
Estudando e decorando
Passam os que queriam ter feito isso
Mas estavam trabalhando 

No dia do enem
Nunca para de chover
A injustiça que nós vemos 
E não para de crescer

Prorrogação Instantânea


Palavras talvez sejam o nosso elemento mais importante, capazes de transportar qualquer coisa a qualquer lugar. Não precisam de combustível nem de eletricidade, apenas de conteúdo. Ou não, minhas palavras podem não ser verdadeiras. Porém, serão o que eu quiser.
Gosto da palavra "livres". Não sei por quê, mas ela soa muito melhor que "liberdade". Talvez seja porque "livres" é a realidade, enquanto "liberdade" é só um sonho.
"Sonho". Ta aí uma palavra da qual não gosto. Pelo menos não hoje.
Sonho é a entidade incompleta, um plano que não virou realidade ainda - talvez nunca vire.
Durante toda a minha vida, perdi muitas coisas. Até tenho compulsão por guardar coisas, não perder nada. "Coisas" é uma palavra bem estranha; significa "tudo", mas de um jeito diferente.
Continuando: perdi coisas demais, e a falta delas me tortura a cada dia, de alguma forma. E a cada um desses dias eu perco mais coisas ainda - dentre elas e constantemente, o tempo, nosso combustível mais precioso.
Cheguei à conclusão de que não posso mais viver perdendo. Cada sonho não realizado de algum modo é perdido, e cansei de viver apenas sonhando.
Eu não quero mais escrever coisas e ficar feliz apenas por serem belas. Quero que sejam verdade, não interpretações nem fantasias. Quero sentir, porque assim eu me torno protagonista do meu mundo. Mais que isso: quero sentir coisas reais, quero viver, realizando sonhos. Porque há momentos em que não vivemos e, por mais idiota que pareça, só quando vivemos nós nos sentimos vivos.

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Sempre mais cedo


"O tempo existe?" - Bruna Santos da Cruz

OBS.: ponho vírgulas onde eu quiser. Essas palavras são minhas, e decidi que elas serão livres.

Nós nascemos mais cedo. Saímos da maternidade mais cedo. Nossos pais já nos conheciam há muito.
Aprendemos a andar, comer e falar mais cedo. Logo já estamos correndo por aí de pés descalços - ou não, às vezes nossos pais tentam nos proteger mais cedo - pelos cômodos da casa comprada mais cedo. Pulamos nos sofás escolhidos mais cedo antes de rasgarem-se, andamos andamos e andamos e passamos pela cozinha e sentimos o cheiro da comida que já comemos mais cedo e gritamos palavras novas e lindamente bobas que reverberam pelo ambiente iluminado mais cedo também.

Ainda não precisamos de pausas nem de ponto final nesta frase

Rimos mais cedo de coisas aprendidas com a TV, que passamos a assistir mais cedo, cada vez mais cedo, mas os adultos nunca querem nos dizer que nossas vidas vão ficando tão monótonas que precisamos esquecer de tudo para lembrar que existimos. E sentir.
Somos levados para a escola mais cedo, mas nem sempre conseguimos fazer amigos quando queremos, que é o mais rápido possível. Aprendemos lições de vida e ganhamos muitas lições de casa sobre dados e mais fados e coisas que ainda não entendemos mas aprendemos mesmo assim. Porque disseram que tinha que ser assim. E não sabemos se isso está certo ou errado, mas precisamos seguir em frente, seja ela qual for.
Nós beijamos mais cedo. E coisas estranhas são cada vez mais normais, pois o estranho passa a ser você quando não faz o que as pessoas com amigos fazem. Nos apaixonamos mais cedo também, seja lá o que isso signifique. E passamos a esperar, talvez por um dia ou pela vida toda, aquela pessoa. Sim, você sabe de quem estou falando. Você a descobriu em um sorriso cedo demais ou na hora certa? Você sequer a descobriu?
E então começamos a pegar pesado na decoreba cedo demais. Porque nossas prioridades são implantadas, é assim que as coisas são. Cedo demais madrugamos, despertando com o sol mas perdendo o amanhecer. E perdemos o pôr do sol também, porque enquanto ele acontece alguém está nos dizendo o que escrever num papel que vale números escritos à caneta vermelha. Gostamos de números altos e, mais uma vez, não sabemos direito se isso é bom ou ruim. Mas é assim que as coisas são.
E cedo demais descobrimos que só podemos chegar em casa depois que as estrelas já se foram, cansadas de nos esperar. Porque na verdade nunca as vemos, e só chegamos em casa quando pegamos no sono.
E, quando alguém nos acorda, percebemos cedo demais que não temos o controle das nossas ações, que somos obrigados a ter obrigações.
Porém, o que mais dói de tudo isso é o momento em que percebemos, tarde demais, que descobrimos muito cedo como matar as pessoas com fonemas de ferro e vidro.
E muitas vezes não há como cicatrizar queimaduras de ódio e egoísmo que não foram feitas cedo ou tarde demais. Elas simplesmente foram feitas. E não deveriam ter sido.

Mas é quando finalmente paramos e entendemos o tempo que conseguimos refletir sobre tudo isso. E eu penso que, talvez, só façamos tudo cedo demais por termos esperança de sobrar tempo no final.

L. S. Cruz

domingo, 1 de novembro de 2015

• Cassiopéia


(Poemenagem a Samuel Alcântara)

Você é a voz
Que ilumina a multidão
Juntando notas e fonemas
Tocando cada coração
Seu instrumento é a alma
A essência do seu ser
Você está longe, eu sei
Mas ninguém vai te esquecer

Se eu puder, vou ouvir
Toda nota que você tocar
Sentindo cada lembrança
Da cabeça ao calcanhar
Todo fim de semana
Quando chegar o entardecer
Vou te ouvir de novo
Por meio do seu CD

Agora eu entendo
Por que nos deixou
Pois você sempre foi estrela
Seu brilho nunca apagou
Assim como o arco-íris
Repousa no mar
Você precisa
Pôr sentimento no ar

Você é o som
Reverberando na imensidão
E apesar da distância
Ainda mora no meu coração
Te amamos e veremos
Seu sonho se realizar
E sempre estaremos aqui
Pro caso de você voltar

E você vai deixar
 o sentimento aparecer
E toda vez que você cantar
 o mundo vai se acender
Porque você é a voz
Que toca a alma da platéia
Samu é mais que estrela
É a nossa Cassiopéia

P.S.: Não se acanhe, você ganha
         De toda a galera européia
        E não se esqueça dos amigos
         Não vou perder a sua estréia

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

• Fera Ferida


Cabelos esvoaçantes
Olhar questionador
Apenas uma fera ferida
Calada na dor
Cansaço nas pernas
Pensamentos vazios
Apenas uma fera ferida
Por fonemas sombrios
Ainda está chovendo
Mas não há proteção
Apenas uma fera ferida
Com um celular na mão

L. S. Cruz, 24/10/15

domingo, 27 de setembro de 2015

Relatos #001

Ela estava em meus braços. Suas mãos, caídas na grama, imóveis, envoltos na manta verde e natural que nunca pensei que veria na vida. Sua expressão era da mais pura paz, um sorriso tímido surgiu quando nossos olhares se cruzaram. Nós chegamos ao Paraíso. Seus olhos iam ficando cada vez mais vagos. Eu chamei. Nenhuma resposta. Talvez estivesse tudo bem. Nossa promessa era chegar aqui. Depois de tudo o que aconteceu, não acho que seja injusto que sua ultima visão seja a de agora. Esses campos são como diziam os velhos textos, aqueles que sempre pensei que fossem fábulas. Plantas... Flores, eu acho. Pela primeira vez vimos o céu, azul como diziam enfeitados com nuvens brancas que brilham com o sol. Eu pensei que era o fim dela, mas ela acordou.
"Bernardo," suspirou ela com uma voz fraca "obrigada" 
"Pelo que exatamente?" Disse sorrindo "Você não precisa agradecer por uma promessa cumprida."
"Não estou falando de agora. É algo bem mais antigo." 
"O que?" 
"Obrigada por ter me tirado daquela lata que eu chamava de casa." 
"Mas eu n-" ela colocou a mão em meus lábios e aproximou seu rosto 
"Você não muda mesmo, né?" 
Eu dei de ombros. Nossos lábios se tocaram e meus olhos se fecharam.  
Ao sair do meu estado entorpecido, abri meus olhos. Não havia paraíso, não havia campo, só o concreto de minha cela. Não era a primeira vez que eu sonhava assim. A luz era fraca, sem vida, mas me dava a esperança de escapar dali. Coisas grandes estavam para acontecer e eu não podia ficar ali. Naquele momento em específico, só me restava esperar.

terça-feira, 22 de setembro de 2015

• Chama Reveladora


Recolha seus medos
Sua vergonha injustificável
Jogue na fogueira das verdades
Junto com a dor irremediável

Recolha suas depressões
Os vales por metades
Pegue tudo o que é confuso
E jogue na fogueira das verdades

Vamos, ande logo com as desilusões
Recolha os pedaços dos seus corações
Jogue tudo e veja-os queimar
Observe no quê se transformará

Cada lágrima dupla
Cada frio de verão
Cada jardim deserto
Cada flor de ilusão

Aproveite a deixa
E jogue-se você também
Não há como superar o sofrimento
Que você não percebe que tem


L. S. Cruz
em 21-22.9.15

domingo, 20 de setembro de 2015

• Sobrevivendo a um arrufo

Cole todos os seus papéis de trouxa
Com eles faça um origami qualquer
Em seguida queime-o na chama do fogão
Não deixe um pedaço sequer

Arranje um balde grande e limpo
Jogue lá um mentos e encha o resto de sorvete (precisa ser até a boca)
Não use talheres, ache o mentos com os dentes
(Cuidado para não sujar a roupa)

Desenhe uma lágrima na extremidade do indicador
(Este pode pertencer a qualquer mão)
Depois trace uma linha com o dedo citado
Que vá do olho esquerdo até seu coração

Faça uma lista de caras mais gatos que o seu ex
Mande fotos constrangedoras dele para as amigas
Fique bêbada, fale sobre mitose e brigadeiro
Viva tardes em parques com sorrisos, aves, livros e formigas
Aproveite para ler um dicionário inteiro

Faça um desenho da sua irmã
Procure empregos em Amsterdã
Pinte de amarelo algum sutiã
Pergunte a um muçulmano o que é o ramadã

Pegue cola, fitas e miçangas
Personalize seu chinelo
Não achou uma tesoura? Simples:
Corte as unhas com um cutelo

Mande uma mensagem para o homem amado
Com uma frase zoeira qualquer
Pode ser "chola mais" ou "carniça cósmica"
Mas será o que você quiser

Depois de uma semana
Vivendo toda essa diversão
Finalmente ligue pra ele
E deixe-o pedir perdão


(L. S. Cruz)




Declarações

Muito tempo passei contigo ao meu lado. Você me serviu de consolo enquanto estava longe da pessoa que amo... Por pouco tempo. Era quase uma troca imediata, ela ia, você chegava. Sempre fiquei impressionado com sua pontualidade. Você estar comigo significava que gostava dela? Bem, não tem importância agora... Não importa quantas vezes eu te mate, nunca resolve, você sempre volta. Parece que não vou me livrar de você afinal. Contudo, continuo insistindo em te matar. E essa vontade não passou, continuo com ela. Eu nunca quis tanto que alguém morresse. Apesar de você representar coisas boas... Quero você morta, saudade.

• O amor é uma promessa

Eu sabia que esse dia chegaria
O dia em que seus olhos não me diriam nada mais
Mas eu ignorei tanto esse fato
Tentei transformar as dúvidas em medos normais

Eu sei que horas são
Sei que o momento chegou
Não quero encarar a despedida
Mas o buraco no peito já se formou

O que você espera que eu faça?
Eu nunca tive certeza do final feliz

Enfim, o fim
Só posso pedir que fique aqui
E continue a tentar viver
O sonho que prometi


Poema escrito por L. S. Cruz em 18.9.15

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Quereres

Você quer que eu pense como você. Quer que eu decore números, processos e conceitos. Precisarei escrever tudo isso depois, você diz. É importante e, graças a você, eu acredito nisso. 
Preciso me vestir de modo que eu pareça superior. Não posso misturar à massa. Se eu fizer isso, perderei seu apoio. 
Você não quer que eu deixe meus sentimentos passarem. Intensidade e transparência são para os fracos, você diz. E, quando a emoção corre pelo meu rosto, vazando pelos olhos, você me condena.
Preciso beijar alguém antes dos treze anos. Por que nessa fase? Porque sim. Por que preciso beijar? Porque sim.
Devo ser engraçada e bela, também. Parecer calma e ser discreta. Não há nada de errado nisso, eu sei.
Dentre as coisas que devem habitar minha mente, existem aquelas que parecem ou são ilusões. Você diz que um dia encontrarei alguém por quem me sentirei atraída, alguém que vai me proteger e ser tudo o que eu sempre quis. O cara perfeito. Onde está o erro? Na terceira palavra, "perfeito". 
Você vive me dizendo para não ser perfeitinha, para ser diferente, pois ser normal é ser comum. Será que você percebe que está projetando alguma perfeição em mim? Não posso procurar pelo mundo as pequenas diferenças, elas não são compradas ou alugadas. Devo acha-las em mim.
E foi vasculhando dentro de mim que percebi que isso acaba agora.
E foi vasculhando dentro de mim que percebi que você é, na verdade, eu.

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Queridos Sofrimentos

Passando pelas ermas ruas de meu bairro, percebo como tudo é impregnado por lembranças. As manchas do tempo nas casas, os desgastes cometidos pelos humanos nas ruas, as manchas marrons no horizonte, todas remetem a algo, alguém, sempre de uma forma nostálgica, melancólica. É quase masoquista esse gosto por sofrer pelo passado, o saudosismo que nos mantém cientes de que tudo vai passar e quanto tudo é tristemente finito. Por outro lado, isso tudo também reforça que estamos vivos, temos história e que vamos deixar, mesmo que infimamente, uma marca onde quer que passemos, para atormentar outros seres saudosistas.

domingo, 6 de setembro de 2015

Brisa da Lua

Certa noite estava eu na varanda da casa de minha tia, olhando para as estrelas como se o brilho destas pudesse me mostrar como resolver uma questão de análise combinatória. Era inverno, mas as crianças que brincavam na rua quebravam o silêncio como se não houvesse amanhã. 
De repente, um vento envolveu rapidamente meus braços desprotegidos, e me dei conta de que estava frio. Porém, continuei a fitar o céu. De uma hora para outra eu era toda poeta.
- Lua, por que você está aí? - questionei, estranha.
Ela permaneceu indiferente, parecendo refletir minha pergunta como quem reflete a luz do sol.
"Por que você está aí?"
Depois de alguns segundos, respondi ao vento:
- Sou uma peça do quebra-cabeça desse universo. 
E, por um momento, senti como se a Lua houvesse rido de mim, satisfeita por ter manipulado-me.
Eu, que pedi uma resposta sobre ela, consegui uma pergunta sobre mim.

Sobre cristais e paixões

Sabe, às vezes penso que você é um frágil cristal que tento segurar com minhas mãos trêmulas e vacilantes. Tento te proteger com elas, mas se eu apertar demais posso te quebrar. Cada briga causa uma rachadura, e minhas mãos estão suadas de nervosismo. 
Mesmo assim, não quero te soltar. Me tornei incapaz de fazê-lo... é tarde demais.
Te sentir me faz relaxar e seu brilho me alegra. Quero continuar te segurando. 
Mas o cristal é grande, talvez eu não consiga. Penso se ele quer ser segurado e me lembro das rachaduras. 
E se você escorregar? E se outras mãos mais cuidadosas te conquistarem? E se você contar a elas o quanto sou hipócrita e ridícula? 
Sinto um amor fofo por você. Algo quentinho que envolve meu coração quando você se aproxima. Oh, estamos falando de amor fraternal!
Este nunca poderá ser acompanhado de uma paixão. Você é um cristal, e eu, uma mão.