quinta-feira, 5 de outubro de 2017

tretaplegia

Todo mundo

cada
          pessoa
                        no
                              mundo

tem feridas incuráveis.

E l a s   p u  l   s  a m

Sempre
sangram
                           água
Às vezes
Inflamam
                          gritos
Nunca
saram

E atingimos, ferimos
como as feras que somos

Fechamos corações
Flechamos almas

E são mais feridas
incuradas
incuráveis
Porque é possível perdoar
Porque é impossível esquecer

tudo esconde, nada resolve
mil lutas dentro
Milhares fora
no nosso todo
a real idade
que conta quantos anos
de sangue
Sangramos

nada nunca é suficiente
[mesmo TUDO nunca é suficiente]
Ferida é falta
falta é sofrimento

| E nada apaga a dor na vida|
| E nada apaga a vida na dor|

Carência..
Tudo é carência.

domingo, 24 de setembro de 2017

Ache o tempo

Ache o tempo
Apesar de vivermos nele
De mergulharmos em sua essência a cada respiração
De tudo que conhecemos depender de seu decorrer

Ache-o
Mas não agora
Não aqui em meus braços
Não perceba nossas limitações
Nem o fim iminente de cada beijo alcançado

Porém, ainda assim, ache o tempo
E o respeite
E reflita
E use o seu
Como quem pinta um quadro que pretende-se que seja maravilhoso
Usando cada cor onde se deseja
Dando pinceladas com intensidade ajustada onde achar que deve

Porque ele passa
O tempo passa
Mas não se perde.

301216

Possi

Estar com você é como viver uma memória de algo que nunca aconteceu antes


Talvez eu tenha esquecido que o tempo passa
Talvez amar seja só plantar danças em brasa
Talvez nada tenha mudado de verdade
Talvez nada mais seja como era na antiguidade

É possível que eu sinta o que sinto por você?
E se a violência nos rouba também o poder de confiar?
Se meu passado sempre me impedirá de amar
Melhor seria parar agora, te impedir de se apegar

Todas as frases podem ser pedaços de vidro
Que nunca se unirão novamente
Todo o sentir pode ser só substância
Surtindo efeito na nossa mente

O diálogo quebrado de novo cai e pesa
E não há algo que o faça levantar-se
Ou a verdade não é essa?
Que coisa teria força para nos fazer sentir vivos dentro desse impasse?

Se o amor me amasse
Eu quebraria essa promessa.

eSPERO10

Eu empilhei os ontens nas minhas costas
e agora já não consigo conviver com eles.
Os músculos doem de tão tensos por tanto tempo, mas não lembram mais como descontrair, relaxar e v i v e r.

A cada vez que esqueço algo, uma pequena parte de mim dorme
A cada vez que perco algo, uma pequena parte de mim dorme
A cada vez que explodo e me escondo, uma pequena parte de mim dorme

Está difícil acordar, irmã
Está difícil acordar

Eu tento juntar minhas partes
E sorrio para não incomodar

De tanto esperar o melhor, já não posso esperar.

211116

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Esperânsia, o poema sem fim

[para o sarau da última roda]

No amanhecer dos olhos
O mundo será bonito
No amanhecer dos olhos
Poderemos começar de novo

E as únicas gotas d'água caindo nas bochechas serão as do chuveiro, aquecendo nossa pele com a chuva morna.
E a única dor vai ser a de não ter amado antes, quando o mundo era desespero e sangue frio e quente demais.


No amanhecer dos olhos
Será possível ser feliz, e não apenas estar
No amanhecer dos olhos
O amor será tangível e inextinguível

E os únicos gritos serão de surpresa pelos arroubos de paixão, seguidos de abraços cada vez mais duradouros no coração.
E os únicos fins serão os que levam a começos melhores, infinitos ciclos de risos e só risos, internos e externos.


No amanhecer dos olhos
A justiça será realidade, não palavra
No amanhecer dos olhos
A vida será natural, e as pessoas, livres

E os únicos excluídos serão os segundos de covardia, omissão e violência, pois na nova era todos se sentem.
E a verdadeira beleza estará na inspiração, e não nos produtos, pois na nova era todos se sentem.
{DE PÉ ESTARÁ A CRIAÇÃO}


No amanhecer dos olhos
A diferença entre os seres será amada e aceita, não mais odiada e temida
No amanhecer dos olhos
A ninguém caberá praticar o que fere

E o único abandono será o da nossa kombi deixando a garagem, quando formos fazer viagens divertidas pelo mundo ou só pela cidade mesmo.
E a única irritação será a da pele com o sal do mar, e isso nos dará mais um motivo para procurar aventuras em cachoeiras.


No amanhecer dos olhos
O flutuar das borboletas será eterno no vento
No amanhecer dos olhos
Toda dor acabará em Sol*

E o único sofrimento será o de desviar meus olhos dos teus ao desenhar tua face, nas tardes mais cálidas pelo afeto.
E a única imperfeição será o fato de que num passado distante houveram perfeições forçadas - práticas aqui extintas.


No amanhecer dos olhos
A natureza será respeitada e amada
No amanhecer dos olhos
Perceberemos que somos parte dela

E os únicos espelhos serão as superfícies dos lagos e poças da água que chove nas ruas, além do modo como nossas faces se igualam na intensidade das gargalhadas.
E a única poluição será a o cheiro de batata frita quando nos deitarmos no chão para ver as estrelas, num piquenique permeado por amor pela terra e pela grama que guarda nossas costas com a melhor cama do mundo.


No amanhecer dos olhos
Não será preciso fugir da realidade
No amanhecer dos olhos
O melhor poder será a amizade, sempre verdadeira, sempre profunda

E a única pressão será a do teu corpo no meu, e do meu no teu; abraços emocionados tranformando a primeira e a segunda numa terceira pessoa, agora do plural.
E a única opressão será a dos seus dedos contra as infinitas gotas de sumo de melancia que insistem em manchar sua camiseta.


No amanhecer dos olhos
Todos vão conviver em harmonia
No amanhecer dos olhos
A verdade libertará

E a única briga será a que existe entre o glitter e a vassoura, quando vamos tornar o piso mais lisinho no PPF (período pós festa) mas é tarde demais pra desistir do brilho doméstico, espalhado como estrelas no céu.
E a única vergonha vai ser por esquecer de fechar a tampa da privada depois de ir ao banheiro.


No amanhecer dos olhos
Nunca mais seremos os mesmos
No amanhecer dos olhos
Esqueceremos os males antigos

E a única assombração será a imagem da torta na geladeira, nos chamando a recomer.
E mesmo os tropeços nos levarão adiante, nos lembrando da mágica dinâmica do recomeço...

No amanhecer dos olhos







* = referência à um verso de Bruna Santos da Cruz

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Favos de noite




No meu sonho você
me abraça forte
me ajuda a dormir
e diz que vai me ajudar
a resolver todos os meus problemas

Sem cheiro de alcool
Sem lágrimas culpadas
Só o doce som do seu canto
Esquentando meus ouvidos

na realidade, por pensar no sonho
quase sorrio
e assim é mais fácil viver
Mas é quase
porque é óbvio que o seu eu que eu amo
provavelmente nunca será visto

Morfologia das paredes


As pessoas usam seus rostos para esconder segredos
Modulam expressões para que seus pensamentos não vazem pela pele
ou seus sentimentos pelos olhos
E isso o tempo todo
Às vezes até entre amantes

Entretanto
seu rosto é diferente
Há algo intenso demais

Mistério em demasia
Tão feroz, tão sutil
Quase afeto, quase agonia
E quem olhou não viu

Você
Em si

Diz tanto sobre quem é
E no entanto nada fala
Se dilui no ambiente
Como chuva numa sala

Há tão pouco sobre quem está
como está o que está quando é

Sem perceber, me dá

um pequeno pedaço do mundo
Nunca visto
Sempre sentido
na eternidade de ser você

Sua face É o segredo

Que nunca vou desvendar
E nenhuma foto captura
O estranhismo desse olhar

Sua dor, seu amor
a mistura vital intrínseca
e nunca contada

Jamais será narrada
a mim

Logo esse eu
que nota

Em face sempre a fase

Você, que apenas com a imagem de seu rosto
desafia todas as minhas noções de tempo

Mas nunca de espaço.

Promido

[Promessa-pedido, ou A Queda da Gota d'Água]

Ande, venha, chegue mais perto
Se eu morder, me abrace.

Quero correr pelo mato;
Quero sentar numa árvore;
Quero comprar o mercado;
Quero comer sem pensar;
Quero sorrir sem dores;
Quero viver mil amores;
Quero esquecer pra depois lembrar;
Quero estar em paz mesmo aqui;
Quero o mundo e nada quero,
Mas não tão só.

Venha, chegue mais perto
Me toque por dentro do coração
E, se ainda assim eu morder, me ame.

Quero até sentir a infelicidade
Mas com você, e não tão só

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Átimo

O mundo é muito claro.

Fecho os olhos
E me escondo sob o tecido grosso.

Mas preciso respirar
E essa necessidade me mata
Me põe à prova, testa o perigo
Entre eles, encontrar você

Pelo som, pela luz, pelo toque,
pela dor
Sempre pela dor.



me corta por dentro
Fragmenta inteira

perco pedaços
Me arrastando na Terra

e os átimos restantes
Parecem conter alvéolos

segunda-feira, 5 de junho de 2017

CancelaR

Se eu pudesse cancelar o que houve
Desfazer os nós em mim
E estar novinha e inteira
Como uma fita fresca de cetim
Como limpar um pincel em água
E descartar o líquido carmim
Se eu pudesse simplesmente desistir
Do passado triste sem fim
Jogá-lo fora e depois sorrir
Porque foi amassado, ficou pequeno e foi embora como um pássaro inteligente
Se eu pudesse ser omissa comigo
Ignorar toda essa gente
Que eu fui, que ainda sou
E me tornar nova, ser outra

Eu não seria eu
Mas poderia ser mais feliz

E tudo seria mais fácil.

Colisão

Tenho aula amanhã cedo
Mas nem me importo se faltar
Da aula me recupero cedo
Não digo o mesmo do seu olhar

Faltar na aula não é fatal
Mas fatal é faltar você
Tão gigante em seu amor
Que preciso te aprender

Suas formas, o seu riso
O seu jeito de pensar
Tudo quero e mais um pouco
É muito intenso te amar

Isso os livros não ensinam
Nem a internet pode mostrar
Isso é raro e genuíno
Fenômeno pra se estudar

Então fica perto e me deixa
Por sentidos me aproximar
Entender os mecanismos
Que me distraem sem parar

O tempo passou, meu caro
Mas tantos anos explodem em mim!
Sinto que estou parada, observando
Mil correndo uma corrida sem fim

O ideal é você aqui
Ir de fosso a jardim

O real é que tudo isso ganha graça
Quando vejo você me olhar assim

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Nunca me peça calma

Nunca me peça calma
Nem se importe em dizer
Porque curta é vida
Pra não nos satisfazer

Mesmo que todo segundo seja um infinito de eternidades
E que os períodos sejam impossíveis de se enumerar ou concretizar
Não posso perder nenhum momento com meras amenidades
Se algum pode ser usado pra amar

Sei que vou dormir, que é preciso descansar
Mas enquanto eu puder pensar
Não vou me negar o prazer de te lembrar
Em mim, no nós também infinito, que rola pelo tempo e espaço sem que percebamos a beleza perene da mistura que é amar

Me olha, e me olha bruto
Não o bruto de me machucar
Mas por favor, ao ver a mim
Não lapide o teu olhar
Quero que perceba tudo
E a intensidade do sentimento
Que brota de todo meu eu
Cantando a todo momento

E meu coração bate
Já nem sei se em mim ou em você
Newton fez suas leis limitantes
Porque não pôde nos conhecer

Nossa vida divide o mesmo espaço
Nesse laço de calor e cor
Goteja o tempo, caem grãos
Correm asas, nadam marés
Fluem ondas, propagam sons
A luz nos guia, a luz nos é

Tanto ocorre nesse tempo
Não peça pra eu me acalmar
Porque com tudo eu disputo
Para ocorrer em você
E de tudo que ocorre
Nada quero esquecer

Nunca me peça calma

Porque a vida é muito curta
Para nos permitir perder
É preciso ver transformar,
É preciso deixar de contar
Sem números ou limites...

Eu preciso transbordar

domingo, 9 de abril de 2017

Prédio?

Olá,

Estou escrevendo pra dizer pra você que o Prédio será demolido. Na verdade, foi o que ele disse. O Dono. Eu devo. Devo muito. E ele me cobra. Cobra o tempo todo, com batidas constantes na fronte de meu lar. Berros ecoam nas salas, belas salas. Sei que existem projetos mal feitos, erros que levaram à essa situação, mas o que eu vou fazer? Destruir tudo? Não. Tapo buracos e vazamentos, e tudo aquilo que é possível fazer só com um martelo, fita adesiva e muita disposição. 
Mas uma hora a fé se abala, o corpo fraqueja e tudo parece estar caindo aos pedaços.Percebo os maus negócios, as tábuas tortas e todos os pregos que coloquei onde em tábuas que não mereciam. Talvez nenhuma tábua mereça pregos. E então, tudo precisa de mudanças drásticas. Tudo o que eu fiz na casa, desde a mancha no carpete, até a cortina que incendiei em um jantar a dois. Tentei abrir a janela, mas isso só nos machucou com o vidro queimado. Isso e os transeuntes despreocupados.
O Dono pendura na fachada uma bandeira verde, de vez em quando. Ele chama de "marca dos devedores". Ela abafa a casa, às vezes eu não consigo respirar. Acho que às vezes ele esquece que existe um humano aqui dentro. Eu penso muitas vezes em pular daqui do décimo sétimo andar, mas não posso. Sem Inquilino, não tem Dono. Sem Dono, não tem Prédio. Eu sinto falta de quando nos dávamos bem, quando o Prédio não tinha falhado. Eu perdoei, o Dono não.
Aliás, ele coloca adornos eventualmente e eu o ajudo. É uma hora de paz em que concordamos que o Prédio merece um prestígio. Mas o Dono nunca está satisfeito. Eu prefiro ouvir os elogios. Ele não os entende, então só ouve as críticas, e mantém sua guarda alta. Ele acha que as críticas um dia superarão os elogios e convencerão a todos de que o Prédio é um lixo, mas isso não é verdade. ELE está convencido disso, e desde então tudo tem sido um inferno. Nós dois queremos mudar o prédio, mas ele está me destruindo.
Eu sei que faz tempo que perdi seu endereço, irmã. Eu não sei quando você vai aparecer - se aparecer - mas eu resolvi te escrever. Existe interesse no Prédio. Ele faz parte de uma paisagem icônica na vida de muitas pessoas. Nas nossas vidas e nas vidas de nossos amigos, então você sabe onde encontrar. Qualquer dúvida, procure pela bandeira verde.
Com amor
do Inquilino
do irmão mais novo
A. P.

sábado, 8 de abril de 2017

Durar uma noite

Enquanto todas dormem
Observo o nada preto
E meus olhos cristalinos suam lágrimas
Que caem nos meus ouvidos

Enquanto todas dormem
Remoo os erros vividos
As palavras que fazem sangrar água
O coração

Cheio d'agua explode num soluço
E pedaços de vidro nadam nas veias
E pedaços de vidro entopem artérias
E mais uma vez morro lentamente
Dentro

Enquanto todas dormem
Tento fechar os olhos
Que entretanto protestam e doem
Porque ainda não posso parar o processo e
fingir que posso esquecer tudo isso


E quando todas acordam
Eu quebro meu sono não dormido
Engulo os pedaços de sonho perdido
(Então já não há tantas evidências)
E finjo com talento que vivi acertos
E ninguém jamais saberá de nada

Porque meu coração de vidro quebrado
Jamais verá a luz do sol

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Oh, melancias melancólicas


A horta está quebrada
E as ervas ignoradas gritam em silêncio
Em luto pela perda de um mundo.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Anunciação

O céu quebrou-se em cores,
e sei que todos prometeriam que algo seria como aquilo esperado.
Assim, as crianças se esconderam nos reflexos,
porque no espelho tudo é luz, e não havia tempo para refletir o desespero.
Entretanto, o tempo ondulou e os grandes ficaram zonzos;
preferiram parar de fingir sua grandeza exorbitante e tóxica.

Mas o vento foi fraco demais
e os barcos se perderam nas ondas;
As falsas cordas se quebraram
quando as navegantes desiludidas
perderam seus sentimentos de plástico
e jogaram todos os suspiros na madeira do chão.
Nenhuma lágrima caiu
Sobre aquilo que não pôde ser.

Além de toda a tempestade,
uma náufraga assistia as chamas...
[O fogo consumindo a embarcação
no dia frio mergulhado em sal]
E um calafrio percorreu seu corpo,
vendo os corpos se moverem em liberdade,
ocupando o azul mais secreto.
A brisa que tocou os rostos
destacou suas cores mágicas,
enquanto na náufraga distraída
contrastava com seu morno coração
envolto em memórias perdidas
sobre a sinceridade de toda infância.
Então o oceano se tornou pacífico
(pela doçura desperta pelas almas felizes)
Então o oceano se tornou limpo
(sem a vergonha triste de quando éramos mais jovens)
E, como o oceano, era o meu coração.

Falt

O corpo repousa no sofá
Os ouvidos na televisão
Os olhos no nada
Que te substitui

O corpo repousa no ar
Os pés no chão
O coração no nada
Que te substitui

O corpo repousa na areia
A pele no calor
A língua no nada
Que te substitui

O corpo repousa,
e apenas repousa,
mesmo quando vibra e balança
Porque seu corpo é o movimento,
e seu corpo já não está.
E, como nada é nada,
nada te substitui.

falsa vitória

Quando a dor cruzou seu rosto, a afastou com audácia
E continuou a

ÔNIBUS ÀS 18:30

Entro no ônibus
e vejo lugares pra sentar;
Reparando em minha volta
vejo todos ao celular.

Sem para sua volta olhar,
sem problemas pra lidar,
sem contas pra pagar,
sem família pra cuidar
e o ônibus a lotar!

Mas qual o problema nisso
se nessa infinitiva viagem,
de curtidas e mensagens,
eu ter meu celular?

Entre meus telefonemas
o ônibus vai enchendo
sem lugar pro pensamento
e o calor a aumentar...

A bateria vai acabando,
o ônibus apertando,
eu; minhas costas estalando
tentando me acomodar;

E entre meu plano acabando
e o gerúndio me infernizando,
minha paciência vai se esgotando.
Começo a me irritar!

Olho nos olhos vazios
quais me provocam calafrios;
Não escuto nem um pio
e meus versos preciso mudar.

E ao mudar meu pensamento
sigo no mesmo lamento,
com essa gente não me contento
sempre vidrada no celular!

E se paga mais uma passagem
pra continuarmos a viagem;
Nas ruas a buzinagem;
O ônibus começa a esvaziar.

Os que restam dormem aos cantos
sonhando com seus recantos
e eu só imagino quando
em meu ponto irei chegar...

Passei pela rua escura,
abri a fechadura;
No pretérito tudo é perfeito,
mas no futuro nada é direito
e quando em minha cama deitar
vou mexer no celular!

Por Vitor Brilhante