quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Antisonho

240816

Um dia entrei na casa dos pesadelos
Amores e ruínas deslocadas
Encarei o que ontem descartei
Rotinas e esperanças roubadas
Os gritos soaram roucos
E o peso da vida, breve
Meus sufocos não foram poucos
Nem mais o ar era leve

Um dia entrei na casa dos pesadelos
Temi aquele ser meu lar
Temi prisão e o meio dia
Temi a noite e seu luar
Vi o tudo virar nada
E o nada, tudo também
Muita dor pra pouco amor
Muita carência sem ter ninguém

Um dia entrei na casa dos pesadelos
E a casa era um olhar
Atrás das retinas, dias
Atrás dos dias, pesar
Não havia o que fazer
Só o vazio a observar
Mas o vazio era tão cheio
De coisas a lastimar!

A casa não era pequena
Nem grande como alguém
A casa não tinha cerca
Nem era solta também
A casa não tinha andares
Não havia começo ou fim
A casa não tinha endereço
E vivia dentro de mim

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