Olá,
Estou escrevendo pra dizer pra você que o Prédio será demolido. Na verdade, foi o que ele disse. O Dono. Eu devo. Devo muito. E ele me cobra. Cobra o tempo todo, com batidas constantes na fronte de meu lar. Berros ecoam nas salas, belas salas. Sei que existem projetos mal feitos, erros que levaram à essa situação, mas o que eu vou fazer? Destruir tudo? Não. Tapo buracos e vazamentos, e tudo aquilo que é possível fazer só com um martelo, fita adesiva e muita disposição.
Mas uma hora a fé se abala, o corpo fraqueja e tudo parece estar caindo aos pedaços.Percebo os maus negócios, as tábuas tortas e todos os pregos que coloquei onde em tábuas que não mereciam. Talvez nenhuma tábua mereça pregos. E então, tudo precisa de mudanças drásticas. Tudo o que eu fiz na casa, desde a mancha no carpete, até a cortina que incendiei em um jantar a dois. Tentei abrir a janela, mas isso só nos machucou com o vidro queimado. Isso e os transeuntes despreocupados.
O Dono pendura na fachada uma bandeira verde, de vez em quando. Ele chama de "marca dos devedores". Ela abafa a casa, às vezes eu não consigo respirar. Acho que às vezes ele esquece que existe um humano aqui dentro. Eu penso muitas vezes em pular daqui do décimo sétimo andar, mas não posso. Sem Inquilino, não tem Dono. Sem Dono, não tem Prédio. Eu sinto falta de quando nos dávamos bem, quando o Prédio não tinha falhado. Eu perdoei, o Dono não.
Aliás, ele coloca adornos eventualmente e eu o ajudo. É uma hora de paz em que concordamos que o Prédio merece um prestígio. Mas o Dono nunca está satisfeito. Eu prefiro ouvir os elogios. Ele não os entende, então só ouve as críticas, e mantém sua guarda alta. Ele acha que as críticas um dia superarão os elogios e convencerão a todos de que o Prédio é um lixo, mas isso não é verdade. ELE está convencido disso, e desde então tudo tem sido um inferno. Nós dois queremos mudar o prédio, mas ele está me destruindo.
Eu sei que faz tempo que perdi seu endereço, irmã. Eu não sei quando você vai aparecer - se aparecer - mas eu resolvi te escrever. Existe interesse no Prédio. Ele faz parte de uma paisagem icônica na vida de muitas pessoas. Nas nossas vidas e nas vidas de nossos amigos, então você sabe onde encontrar. Qualquer dúvida, procure pela bandeira verde.
Estou escrevendo pra dizer pra você que o Prédio será demolido. Na verdade, foi o que ele disse. O Dono. Eu devo. Devo muito. E ele me cobra. Cobra o tempo todo, com batidas constantes na fronte de meu lar. Berros ecoam nas salas, belas salas. Sei que existem projetos mal feitos, erros que levaram à essa situação, mas o que eu vou fazer? Destruir tudo? Não. Tapo buracos e vazamentos, e tudo aquilo que é possível fazer só com um martelo, fita adesiva e muita disposição.
Mas uma hora a fé se abala, o corpo fraqueja e tudo parece estar caindo aos pedaços.Percebo os maus negócios, as tábuas tortas e todos os pregos que coloquei onde em tábuas que não mereciam. Talvez nenhuma tábua mereça pregos. E então, tudo precisa de mudanças drásticas. Tudo o que eu fiz na casa, desde a mancha no carpete, até a cortina que incendiei em um jantar a dois. Tentei abrir a janela, mas isso só nos machucou com o vidro queimado. Isso e os transeuntes despreocupados.
O Dono pendura na fachada uma bandeira verde, de vez em quando. Ele chama de "marca dos devedores". Ela abafa a casa, às vezes eu não consigo respirar. Acho que às vezes ele esquece que existe um humano aqui dentro. Eu penso muitas vezes em pular daqui do décimo sétimo andar, mas não posso. Sem Inquilino, não tem Dono. Sem Dono, não tem Prédio. Eu sinto falta de quando nos dávamos bem, quando o Prédio não tinha falhado. Eu perdoei, o Dono não.
Aliás, ele coloca adornos eventualmente e eu o ajudo. É uma hora de paz em que concordamos que o Prédio merece um prestígio. Mas o Dono nunca está satisfeito. Eu prefiro ouvir os elogios. Ele não os entende, então só ouve as críticas, e mantém sua guarda alta. Ele acha que as críticas um dia superarão os elogios e convencerão a todos de que o Prédio é um lixo, mas isso não é verdade. ELE está convencido disso, e desde então tudo tem sido um inferno. Nós dois queremos mudar o prédio, mas ele está me destruindo.
Eu sei que faz tempo que perdi seu endereço, irmã. Eu não sei quando você vai aparecer - se aparecer - mas eu resolvi te escrever. Existe interesse no Prédio. Ele faz parte de uma paisagem icônica na vida de muitas pessoas. Nas nossas vidas e nas vidas de nossos amigos, então você sabe onde encontrar. Qualquer dúvida, procure pela bandeira verde.
Com amor
do Inquilino
do irmão mais novo
A. P.
do Inquilino
do irmão mais novo
A. P.
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