sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

ÔNIBUS ÀS 18:30

Entro no ônibus
e vejo lugares pra sentar;
Reparando em minha volta
vejo todos ao celular.

Sem para sua volta olhar,
sem problemas pra lidar,
sem contas pra pagar,
sem família pra cuidar
e o ônibus a lotar!

Mas qual o problema nisso
se nessa infinitiva viagem,
de curtidas e mensagens,
eu ter meu celular?

Entre meus telefonemas
o ônibus vai enchendo
sem lugar pro pensamento
e o calor a aumentar...

A bateria vai acabando,
o ônibus apertando,
eu; minhas costas estalando
tentando me acomodar;

E entre meu plano acabando
e o gerúndio me infernizando,
minha paciência vai se esgotando.
Começo a me irritar!

Olho nos olhos vazios
quais me provocam calafrios;
Não escuto nem um pio
e meus versos preciso mudar.

E ao mudar meu pensamento
sigo no mesmo lamento,
com essa gente não me contento
sempre vidrada no celular!

E se paga mais uma passagem
pra continuarmos a viagem;
Nas ruas a buzinagem;
O ônibus começa a esvaziar.

Os que restam dormem aos cantos
sonhando com seus recantos
e eu só imagino quando
em meu ponto irei chegar...

Passei pela rua escura,
abri a fechadura;
No pretérito tudo é perfeito,
mas no futuro nada é direito
e quando em minha cama deitar
vou mexer no celular!

Por Vitor Brilhante

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