sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Anunciação

O céu quebrou-se em cores,
e sei que todos prometeriam que algo seria como aquilo esperado.
Assim, as crianças se esconderam nos reflexos,
porque no espelho tudo é luz, e não havia tempo para refletir o desespero.
Entretanto, o tempo ondulou e os grandes ficaram zonzos;
preferiram parar de fingir sua grandeza exorbitante e tóxica.

Mas o vento foi fraco demais
e os barcos se perderam nas ondas;
As falsas cordas se quebraram
quando as navegantes desiludidas
perderam seus sentimentos de plástico
e jogaram todos os suspiros na madeira do chão.
Nenhuma lágrima caiu
Sobre aquilo que não pôde ser.

Além de toda a tempestade,
uma náufraga assistia as chamas...
[O fogo consumindo a embarcação
no dia frio mergulhado em sal]
E um calafrio percorreu seu corpo,
vendo os corpos se moverem em liberdade,
ocupando o azul mais secreto.
A brisa que tocou os rostos
destacou suas cores mágicas,
enquanto na náufraga distraída
contrastava com seu morno coração
envolto em memórias perdidas
sobre a sinceridade de toda infância.
Então o oceano se tornou pacífico
(pela doçura desperta pelas almas felizes)
Então o oceano se tornou limpo
(sem a vergonha triste de quando éramos mais jovens)
E, como o oceano, era o meu coração.

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