ele fecha o portão de ferro
ela suspira o ar de fim
ele caminha para longe
ela se deita no sofá carmim
um novo cadeado, pensa
novos portões, murada melhor
quatro chaves de reserva
cacos de um vidro maior
proteção, é preciso proteger
dentro da casa os corações
que ninguém conseguirá ver
proteção, é preciso esconder
melhor as chaves no escuro
do que uma vida de sofrer
ele liga para as crianças
ela penteia seus cabelos
ele marca uma viagem
ela explica sem rodeios
não digam tudo, manda
agora usam discrição
ele é um novo estranho
está fora da construção
armas metálicas bem forjadas
no fogo brando do rancor
a guerra é fria e latente
ódio feito do antigo amor
não é contra país vizinho
nem contra rebeldes da região
não é contra um povo distante
é contra sangue da sua mão
as crianças estão deitadas
vendo seu castelo ruir
continue construindo, disse Deus
um dia de novo vai poder rir
elas tiram os sapatos
jogam o pente no chão
caçam restos de cimento
e cauterizam o coração
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