segunda-feira, 16 de novembro de 2015

• Pedras Amarelas


Sono, pesadelos
Escuro, segredos
Luz, dor, chão
INdescanso, INlusão

Chinelos, pegadas
Mentiras, pauladas
Roupas guardadas
Retinas fadadas

Os sonhos na mochila
Já não servem mais
Os medos só pesam
Não posso deixar pra trás

Tempo, ampulheta
O frio tão xereta
Entra pelas brechas
Atinge feito flechas

Abrir mão
Tristeza, confusão
Lição e mais lição
Prova, provinha, provão

Enemenemenemenem
Fuvestando alunos assustados
Mediante pressão
Permanecem calados

Doença não é desculpa
Não vontade também não
Hoje todos são obrigados
A ter uma obrigação

Mochila é medida de peso
Toneladas de saco cheio e esperança
Dor nas costas, varizes nos joelhos
Vomitando pés de mil coelhos

Linguagem da violência
Passiva demência pra todos
"Mentira, alguns merecem cortes também"
O porque sim sempre vai além

Devagardevagardevagar
Vivemos depressa num mundo parado
Pés descalços em brasa
É tecido machucado

Sonolentando dados em mentes
Aulas sem dinâmicas para crianças carentes
De futuro e presente feliz
Ninguém quer o que o mundo quis

Tudo passa, rotina fica
Apagando o que não se repete
Repetindo necessidades impostas
Não pergunte, tenha respostas

Metrô lotado, Sé furacão
Oitocentas horas anuais de pura judiação
2880000 segundos de ódio cidadão
Não há diferente opinião no busão

Filas, filas enormes
Rins, assentos, pagamentos
Tudo precisa ser feito
Nada quer ser feito

Vibração, trânsito, poluição
Gritos de agressão ou indignação
Lágrimas pretas como as fumaças
Em meio às modas de aveia e linhaça

Desconforto, falta de luz
Falta de amor, falta Jesus
Falta compreensão, falta calma
Preciso tomar vergonha na alma

Carros, asfalto, garganta fechada
Sons em aberto, barulheira escancarada
Cãibras na panturrilha, entidade cansada
Uma parte com medo, toda parte parada

E eu só quero voltar pra casa.

<23/10 à noite, na fila e no ônibus>

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