sábado, 7 de novembro de 2015

Prorrogação Instantânea


Palavras talvez sejam o nosso elemento mais importante, capazes de transportar qualquer coisa a qualquer lugar. Não precisam de combustível nem de eletricidade, apenas de conteúdo. Ou não, minhas palavras podem não ser verdadeiras. Porém, serão o que eu quiser.
Gosto da palavra "livres". Não sei por quê, mas ela soa muito melhor que "liberdade". Talvez seja porque "livres" é a realidade, enquanto "liberdade" é só um sonho.
"Sonho". Ta aí uma palavra da qual não gosto. Pelo menos não hoje.
Sonho é a entidade incompleta, um plano que não virou realidade ainda - talvez nunca vire.
Durante toda a minha vida, perdi muitas coisas. Até tenho compulsão por guardar coisas, não perder nada. "Coisas" é uma palavra bem estranha; significa "tudo", mas de um jeito diferente.
Continuando: perdi coisas demais, e a falta delas me tortura a cada dia, de alguma forma. E a cada um desses dias eu perco mais coisas ainda - dentre elas e constantemente, o tempo, nosso combustível mais precioso.
Cheguei à conclusão de que não posso mais viver perdendo. Cada sonho não realizado de algum modo é perdido, e cansei de viver apenas sonhando.
Eu não quero mais escrever coisas e ficar feliz apenas por serem belas. Quero que sejam verdade, não interpretações nem fantasias. Quero sentir, porque assim eu me torno protagonista do meu mundo. Mais que isso: quero sentir coisas reais, quero viver, realizando sonhos. Porque há momentos em que não vivemos e, por mais idiota que pareça, só quando vivemos nós nos sentimos vivos.

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