quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Arca de ista

Moço deitado na grama,
você tem o brilho nos olhos de quem faz valer a espera
E é ambíguo, eu sei
E amo
porque são duas verdades
e somos nós aqui

Moço deitado na grama,
você tem que estar aqui
Pois foi por pensar em você que peguei minhas chaves em vez do bilhete único
E assim levantei o metal em vão
Distante visto da mente enevoada pelos seus doces nadas

Moço deitado na grama,
teus dois olhos refletem o brilho da Estrela
apesar do ângulo de tua bela cabeça inerte
Sorri com ternura olhando o céu
(ouve Ron Pope)
E fecha os olhos, a luz cega quando vem de fora
de você

Moço deitado na grama,
tua boca benfeita tem o calor
E tuas retinas profundas são um espelho mais justo
que os pseudo presentes do mundo
E atrás estão os sonhos e piadas
E abaixo é o calor
que quero beijar

Moço deitado na grama,
desejo ser acordada por ti todas as manhãs
E tomar teu café sempre que der
Porque o mundo me chama mais cedo
para buscar e fazer o que é preciso

Moço deitado na grama,
quase ouço teu coração
E parte de mim odeia uma parte de mim
por sempre escrever poemas que podem dar errado

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