quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Infeliz, cidade em mim

O amanhecer incendeia lentamente
as nuvens com suas cores
O céu azul cheio de algodão
é um dos meus amores

E aqui embaixo, no chão
postes brilham como estrelas amarelas
na cidade colorida que aos poucos desperta
acalmando seus donzelos e donzelas

Cá estou eu, também
Observando o mundo por uma névoa nítida
Tão vazia por dentro quanto horrível por fora
Triste pelas mazelas de minha vida

O azul das paredes do supermercado
quase me distrai do futuro desagradável
Tão próximo e assustador
E me sinto uma esponja impermeável

No meu coração, só há pedra e areia
O tempo escorre apenas para logo anoitecer
E outro dia ruim chegar
nesse inevitável envelhecer

Há tão pouco tempo de vida
quando não se escolhe o que fazer!
Maldito seja o sistema
e breve o seu prevalecer

Entretanto, entre tanto
nada novo é criado
E me sinto prestes a explodir
dentro do meu próprio pecado

Me desloco inerte
a saudosista buscando rimas
Não há vento
Sofro em silêncio




[A Estrela se descobre
Cai sobre a multidão
Eu seco as lágrimas que lavam os olhos,
escondo o resto no coração]

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