Certa noite estava eu na varanda da casa de minha tia, olhando para as estrelas como se o brilho destas pudesse me mostrar como resolver uma questão de análise combinatória. Era inverno, mas as crianças que brincavam na rua quebravam o silêncio como se não houvesse amanhã.
De repente, um vento envolveu rapidamente meus braços desprotegidos, e me dei conta de que estava frio. Porém, continuei a fitar o céu. De uma hora para outra eu era toda poeta.
- Lua, por que você está aí? - questionei, estranha.
Ela permaneceu indiferente, parecendo refletir minha pergunta como quem reflete a luz do sol.
"Por que você está aí?"
Depois de alguns segundos, respondi ao vento:
- Sou uma peça do quebra-cabeça desse universo.
E, por um momento, senti como se a Lua houvesse rido de mim, satisfeita por ter manipulado-me.
Eu, que pedi uma resposta sobre ela, consegui uma pergunta sobre mim.
Nenhum comentário:
Postar um comentário