domingo, 27 de setembro de 2015

Relatos #001

Ela estava em meus braços. Suas mãos, caídas na grama, imóveis, envoltos na manta verde e natural que nunca pensei que veria na vida. Sua expressão era da mais pura paz, um sorriso tímido surgiu quando nossos olhares se cruzaram. Nós chegamos ao Paraíso. Seus olhos iam ficando cada vez mais vagos. Eu chamei. Nenhuma resposta. Talvez estivesse tudo bem. Nossa promessa era chegar aqui. Depois de tudo o que aconteceu, não acho que seja injusto que sua ultima visão seja a de agora. Esses campos são como diziam os velhos textos, aqueles que sempre pensei que fossem fábulas. Plantas... Flores, eu acho. Pela primeira vez vimos o céu, azul como diziam enfeitados com nuvens brancas que brilham com o sol. Eu pensei que era o fim dela, mas ela acordou.
"Bernardo," suspirou ela com uma voz fraca "obrigada" 
"Pelo que exatamente?" Disse sorrindo "Você não precisa agradecer por uma promessa cumprida."
"Não estou falando de agora. É algo bem mais antigo." 
"O que?" 
"Obrigada por ter me tirado daquela lata que eu chamava de casa." 
"Mas eu n-" ela colocou a mão em meus lábios e aproximou seu rosto 
"Você não muda mesmo, né?" 
Eu dei de ombros. Nossos lábios se tocaram e meus olhos se fecharam.  
Ao sair do meu estado entorpecido, abri meus olhos. Não havia paraíso, não havia campo, só o concreto de minha cela. Não era a primeira vez que eu sonhava assim. A luz era fraca, sem vida, mas me dava a esperança de escapar dali. Coisas grandes estavam para acontecer e eu não podia ficar ali. Naquele momento em específico, só me restava esperar.

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